quarta-feira, 29 de abril de 2009

as cores de abril

Tem hora que é muito difícil acompanhar tudo o que me acontece. Não que em me canse, porque no fim das contas acabo dando continuidade ao ritmo das coisas. Quando gosto, é claro. E também não é questão de se perder, porque os caminhos sempre aparecem. Tudo sempre tem um jeito. É estranho, porque me surpreendo com certas coisas que eu já imaginava que fossem acontecer. E acontecem! Como que pode, né?
Quiçá eu adivinhe, sei lá. Ou então me acostumei tanto com essa coisa de não saber, por causa da rapidez dos acontecimentos, que penso que sei quando não sei, porque “não saber onde vai dar” já se tornou habitual.
Nem é tão importante assim saber ou não. Ensinaram algo sobre saber-fazer e fazer-saber no início da faculdade que me confunde até hoje. O bom mesmo é esse friozinho, esse vento sudoeste que arrepia a barriga e dispara o coração! A segurança, o controle da situação, vai tudo pro lixo quando a confusão, por si só, vira uma delícia!
De repente, da maneira mais singela, parece que todas as suas vontades se encaixam a todos os conflitos e tudo fica suportavelmente simples! Quando você se dá conta, um suspiro atrás do outro, numa falta de atenção qualquer, escapole um sorriso, uma frase ou outra que você não consegue mais segurar... e você se apaixona!
De repente de novo, da maneira mais singela, parece que todas as suas vontades se encaixam a todos os conflitos e você fica insuportavelmente feliz!
O verão acabou em mim para que o outono pudesse me dar as melhores coisas que poderiam me acontecer! Até o tempo, que é cinza, fica bonito, ao lado do sorriso que é só carinho quando tá por perto. E morde, arranca pedaço, muda até os móveis de lugar para invadir todos os meus cantos.
A gente fica muito boba quando a felicidade chega e transborda ... assim, desse jeito.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

cervejinha

Eu tenho mania de escrever pra relaxar, botar pra fora o que sufoca por dentro e não sabe como sair. Tem gente que vez ou outra pergunta "parou de escrever? escreve alguma coisa pra eu ler.". Acho que o efeito terapêutico funciona para outras pessoas também.
O dia em que me viam no cantinho da sala da faculdade manchando a mão de tinta (porque canhotos sofrem desse mal), podia saber que alguma coisa estava acontecendo: ou eu estava apaixonada, ou preocupada com alguma coisa, ou simplesmente procurava respostas para divagações que, se um dia tiverem resposta, deixarão de existir.
É comum a vontade de escrever quando a necessidade de tomar uma decisão me cobra uma postura. Na inexistência de saber o que fazer, dedico-me à prática característica dos solteiros: reunir os amigos. Aquela espécie de conferência que exige uma preparação básica para ouvir consolos, conselhos e esporros. Sempre prezando pelo bem extremo do amigo em crise existencial, claro.
Tá certo que você sempre gostou de uma confusão, mas dessa vez você apelou.
Sabia que essa história de querer sossego e tranquilidade não ia durar muito tempo.
Não, você gosta disso. Sempre se alimentou disso. Sofre porque não consegue ser indiferente a tudo o que acontece depois.
E também porque se apaixona, sempre se apaixona, como se fosse vital esse estado latente, esse brilho no olhar, esse jeito de menina boba quando começa a contar sobre o último feriado, a última roda de samba, o encontro casual no corredor da faculdade...
Você precisa é criar juízo.
Arrependida você não vai ficar, não é da sua índole.
Eu sei que você não quer fazer mal pros outros, também não é da sua índole. Mas você acaba tendo atitudes que fazem mal pros outros. É isso.
Seus caminhos sempre foram muito corridos, mas tem que saber andar devagar.

sábado, 4 de abril de 2009

cicatrizes

_ olha pra mim ...
_ hum.
_ você teve alguém.
_ como assim ?
_ não sei. eu sempre soube que você teve duas pessoas na sua vida, mas uma delas mexeu com você.
_ ah, tive. todo mundo tem. algumas pessoas são insbustituíveis, não tem jeito.
_ é, mas te marcou.
_ sempre marca. mas por quê?
_ porque vocês são parecidas.
_ é, eu sei. mas a gente é muito diferente também.
_ são sim. não é que vocês sejam iguais, mas tem muito dela aí por dentro.
_ hum. isso é ruim?
_ não. sinto ciumes, só.
_ tem muito espaço pra você aqui dentro ainda, fica tranquila rs.
_ te amo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

quatro anos.

abraços, cigarros, saudades e diálogos cruzados.

_ olha, tatuagem nova?
_ não, é canetinha.
_ haha palhaça! lindo o traço! fez aonde, em búzios?
_ uhum.
_ é foda, a gente fica sem te ver um, dois meses, aí você aparece de cabelo novo, mais uma taguagem, solteira...
_ quem disse que ela tá solteira?
_ pronto! mamãe diz todo domingo por telefone pra eu cuidar da minha saúde, porque da minha vida tem ... uma, duas, três, quatro, quem mais tá aqui hoje? um monte de amiga pra cuidar !!
_ não, explica direito ! como assim não tá solteira ?
_ olha a dificuldade!o contrário de solteira é o que, cabeção ?
_ ih, tanta coisa! vai saber ...
_ ah, pára com isso! lógico que você tá namorando.
_ por que "lógico" ?
_ porque você sumiu. quando você some assim ...
_ porque ela é galinhazinha também, né gente?! não consegue ficar sozinha.
_ olha quem fala !
_ todo mundo sumiu, virou gente grande, trabalhando horrores. tá difícil encontrar sempre como antes.
_ quem é essa criança na foto ?
_ essa coisa de virar gente grande fez todo mundo arrumar alguém também.
_ também!
_ é, inclusive você! de novo!
_ ah gente... aconteceu. sou eu, no meu aniversário de 6 anos. eu tinha perdido um dente, não sorri em nenhuma foto esse dia rs.
_ aposto que tá apaixonada!
_ claro que tá, olha a cara dela!
_ cara... eu odeio vocês!
_ que dia a gente vai conhecer?
_ não sei. quem tava aquele dia ?
_ eu tava mas nem me liguei. não reparei.
_ ela vai passar aqui daqui a pouco, aí você conhece.
_ ah é, já tá assim? saindo com a gente, passando pra buscar ?!
_ não tô dizendo que ela tá namorando, cabeção ?!
_ é... todo mundo namorando, todo mundo trabalhando ... e a monografia ?!
_ apelou, perdeu, hein ?!
_ interfone!
_ aí, deve ser ela ...
_ oh ... comportem-se!
_ a gente sempre se comporta.
_ principalmente quando tá junto.