É engraçado quando as pessoas falam que "agora tudo volta ao normal" três meses depois de prometerem, na virada do ano, que daqui pra frente tudo será diferente. Algumas mudanças nunca nos deixam normais como antes.
Voltar à rotina, que remete à igualdade dos dias, e se deparar com uma porção de mudanças dá uma estranha sensação de liberdade de ação, que não se anula diante da prisão aos compromissos.
Mesmo sem querer entender, ando fiel à crença de que um verão sempre muda a vida de alguma forma. Se é verdade que certas coisas ficam melhores sem explicação, se a explicação existisse a vontade de afastar seria ainda mais eminente.
"deixa pedir pra afastar, minha filha. pode pedir, mas essas coisas não têm jeito."
Por vezes, não sei o que sentir ao ouvir o que me contam em certas noites de segunda-feira.
Não sei o que contar quando me pedem novidades, perdi a sincronicidade das coisas e me perco totalmente na rapidez dos acontecimentos. Não sabendo por onde começar, deixo transparecer que certas coisas mudaram, apenas. E isso basta para que eles acreditem que as coisas estão bem, ou pelo menos vão ficar.
Se ser forte cansa, creio que é menos desesperador que permanecer perdido, como se isso pudesse se transformar em algo que justifique a confusão e a velocidade das coisas.
Ninguém é forte o bastante para não precisar de uma defesa, ainda que isto signifique parecer forte. (e não ser).