sexta-feira, 20 de março de 2009

dolorido colorido

16 de março.

conheci uma pessoa mês passado que acredita que a paixão é feito o canto de ossanha: quem tá apaixonado, nunca fala, porque quem está mesmo não sabe o que sente.
e até agora, por ela não sei o que sinto.

pergunte pro seu orixá…amor só é bom se doer.

_peron.


Tarde aprendi a calar, que nem tudo que falam sentem e quem fala muito, morre engasgado de ar.
D.

terça-feira, 17 de março de 2009

domingo de cinzas

voltar para o interior depois do carnaval. os contos do verão, os amigos e todo o sentimento cerveja abaixo.

e aí ?!

opa.
_ você acha ela bonita?
_ não.
_ nossa, tem que conhecer o irmão dela ...
mas meu irmão não é pro teu bico não ... me solta, deixa eu ir embora.
_ tchau. beijo!
(...)

_ vocês não se bicam, né? Desde aquela vez que você ainda trabalhava aqui...
_ não vejo necessidade, só isso.
_ olha como você fecha a cara!!
_ rsrs não começa! É que não fede nem cheira, sabe?
_ ou fede mais que cheira?
_ então! Se fede, é mais um motivo pra ficar longe.
_ hahaha você não tá fácil, hein?!
_ fui contar para um amigo os últimos acontecimentos e ele disse que eu devo estar igual diva decadente: quilos a menos, cara de acabada, causando algumas críticas, desabando mas mantendo a pose, querendo respeito. Tive que concordar, diante de alguns aspectos.
_ e o carnaval? Já tô sabendo de tudo.
_ um tudo que não foi nada demais. essa história sempre rende porque gente de fora vive criando capítulos.
_ ih, não precisa ficar nervosa.
_ é o sono, tô virada. só não quero que isso renda outra vez, nem pra mim, nem pros outros.
_ mas você sabe que ela não esqueceu o que você fez, né? passou o verão, passou o carnaval, mas você conhece.
deixa arder, ninguém tá fazendo nada de errado aqui.
_ conheço. tanto que passei a não admirar certas coisinhas.
_ é bom que desencanta.
é querida... de vez em quando só decepcionando mesmo...
_ é. amor também cansa de vez em quando.
_ sabia!
_ não, não vem não. é diferente. bem diferente! depois do carnaval então... total desancanto. quando eu gosto de alguém eu preciso admirar, me apaixonar por uma coisa ou outra, ela sabe disso.
_ olha quem tá vindo ali...

_ e aí gente, tudo bem?
_ olha, gente!
_ oi. e aí?
_ tudo bem e você?
_ também.
(...)

_ ex é sempre ex, né ?
_ sempre! não tem jeito.
_ então eu duvido que você sobe pra pista 10 minutos comigo.
_ só porque eu tô com saudade.
e eu?
_ segura essa mesa pra saideira.

segunda-feira, 9 de março de 2009

limpando a caixa de e-mails

ela sempre em direção ao clichê. e o clichê sempre dando conforto de alguma forma.

"E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim."

quinta-feira, 5 de março de 2009

sofá

Fim de tarde no campus da universidade. Algo para se guardar com carinho nas memórias dos bons tempos de faculdade. Enquanto os corredores assustavam com a pequena quantidade de pessoas, e os poucos rostos presentes demonstravam estranhamento, só aquele gosto de vermelho no céu era familiar. A sensação de sair do trabalho e não ter que fazer mais nada, ir pra casa e assistir tv de meias, tirar o sapato pelo corredor, também era nova.
Telefone toca. Pela hora, era ela. Apareceu uma grande chance de me relacionar sem ter um relacionamento, e quem sabe um dia isso não seja visto como "babaquice".
_ mas essa situação tá muito boa pra você, não tá não?
_ uhum. tô adorando rs.
_ e se você cansar?
_ eu te conto, pode deixar.
_ ridícula rs. mas vai sair de um e entrar em outro, assim?
_ não tô entrando em nada. deixar alguém me fazer bem não significa namorar essa pessoa.
_ aí, viu ?
_ o que?
_ você sempre tem pensamentos práticos, torna mais fácil o que era pra ser complicado.
_ hum. complicado não deixa de ser, né ?!
_ é, mas com você é diferente.

deixe-me ir

É engraçado quando as pessoas falam que "agora tudo volta ao normal" três meses depois de prometerem, na virada do ano, que daqui pra frente tudo será diferente. Algumas mudanças nunca nos deixam normais como antes.
Voltar à rotina, que remete à igualdade dos dias, e se deparar com uma porção de mudanças dá uma estranha sensação de liberdade de ação, que não se anula diante da prisão aos compromissos.
Mesmo sem querer entender, ando fiel à crença de que um verão sempre muda a vida de alguma forma. Se é verdade que certas coisas ficam melhores sem explicação, se a explicação existisse a vontade de afastar seria ainda mais eminente.
"deixa pedir pra afastar, minha filha. pode pedir, mas essas coisas não têm jeito."
Por vezes, não sei o que sentir ao ouvir o que me contam em certas noites de segunda-feira.
Não sei o que contar quando me pedem novidades, perdi a sincronicidade das coisas e me perco totalmente na rapidez dos acontecimentos. Não sabendo por onde começar, deixo transparecer que certas coisas mudaram, apenas. E isso basta para que eles acreditem que as coisas estão bem, ou pelo menos vão ficar.
Se ser forte cansa, creio que é menos desesperador que permanecer perdido, como se isso pudesse se transformar em algo que justifique a confusão e a velocidade das coisas.
Ninguém é forte o bastante para não precisar de uma defesa, ainda que isto signifique parecer forte. (e não ser).